Lomba@mail.pt
Friday, November 28, 2003
Novo endereço:
http://brunolomba.blog-city.com
Peço desculpa pelo transtorno.
Cumprimentos,
Bruno Lomba
P.S. Ainda está numa fase muito inicial.
Wednesday, November 26, 2003
Spielberg tem 3 filmes, 3 obras primas, que marcam, irremediavelmente, a história do Cinema. Jaws (1975), Raiders of the Lost Ark (1981) e Schindler's List (1993). Raiders of the Lost Ark renderia 1 óscar e $399,200,000. Em 1980 Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back rendeu 1 óscar e $577,200,000 . Dos 3 aquele que mais amiro é Jaws, custou $12,000,000. Por detrás de toda a genialidade de Spielberg ( em Jaws) está, indubitavelmente, uma costela “Hitchcockiana”. Spielberg ( responsável por devolver a fé a Hollywood e vencedor de 2 Óscares de Best Director) nunca escondeu a sua admiração pelos seus conterrâneos, Hawks( o pioneiro do clássico hollywoodiano) e John Ford, vencedor de 4 óscares de melhor realização. Carpenter realiza, em 1980, The Fog com $1,000,000. No mesmo ano Kubrick era nomeado para 1 Razzie de pior realizador com The Shinning. Curiosamente um dos 5 filmes de todos os tempos para Spielberg. Fellini, um europeu, foi nomeado para 4 óscares de Best Director. Bergman, tal como Kurosawa, foi nomeado 3 vezes. Spielberg provavelmente foi mais galardoado do que kubrick enquanto vivo, mas o que é que representam tubarões, ET’s, encontros imediatos, “Amistad’s”, Indy’s, relatórios minoritários, 1941, Ryan’s (…) ao pé de Dr. Strangelove , Paths of Glory , A Clockwork Orange, 2001: A Space Odyssey , The Shining, Full Metal Jacket , The Killing, Spartacus, Barry Lyndon , Lolita ou Eyes Wide Shut ? Em boa verdade Spielberg fez história através da história respeitando, sempre, o passado, honrando as suas referências, evidenciando versatibilidade, objectividade e uma condição humana incomum. Mas outros houveram que para além disso se sobrepuseram à história do cinema, Fellini, Hitchcock, Kubrick, Kurosawa (talvez mais 1 ou 2, os tais mestres do passado), herdeiros de si próprios, que nos deixaram um legado intemporal, ímpar e sem precedentes.
A propósito do comentário sobre Raiders of the Lost Ark, redigido por mim, Tiago Pimentel, no seu espaço crítica dos leitores, decidiu completar o texto. Começou por dizer que o texto tinha contradições práticas(?) e que não tinha percebido algumas ideias. Talvez as supostas contradições? Será isto uma contradição por si só? Vai daí e confronta o "The Guardian" ao "Correio da Manhã". E é então que infere que Spielberg teve uma passagem turística e inofensiva pelo "espaço cinematográfico" (sob o meu ponto de vista). Mais, diz que eu não argumentei sentindo-se na necessidade de desenvolver os seus próprios contra-argumentos, que Spielberg ganhou dois óscares, devolveu a fé ao grandes estúdios (não podia concordar mais, é incontestável... e o que mais me assombra é q o cinema de Spielberg é deveras introspectivo), que realizou um filme noir aclamado mundialmente, que realizou Jaws, uma obra prima admito, Indiana Jones, etc. Diz que Spielberg é o realizador mais importante da geração dos movie brats e "remata" o texto afirmando que o homem me causa indiferença. Tiago por sermos velhos conhecidos do #q.i é que tenho a certeza que vais compreender esta minha "agressividade" sem pôr em causa a admiração e o respeito que nutro por ti e, já agora, pelo teu espaço, o teu blog, que já constitui uma referência para todos os cinéfilos cibernautas . O que te quero dizer, basicamente, é que nesse texto que te enviei eu deixo subentendido que o Spielberg é, de facto, o realizador mais importante da actualidade. Vou aproveitar para introduzir o meu próximo texto, intitular-se-á NÚMEROS.
Um abraço.
Sunday, November 23, 2003
"Raiders of the Lost Ark" de Steven Spielberg (1981)
O primeiro filme da saga Indiana Jones, um verdadeiro triunfo de Lucas e Spielberg. No fundo este filme abre uma nova etapa nos filmes de aventura, resumindo tudo o que de melhor se tinha feito até à data. Pensaram em Tom Selleck mas foi Harrison Ford que ficou com o papel, que constitui a par de Rick Deckard ("Blade Runner") o apogeu de toda a sua carreira. É um filme que recordo com muito carinho, marcou a minha infância, um filme quase perfeito, o romance, a comédia, o suspense, aliás, o que mais me impressiona, hoje, em Indiana Jones, é a maneira como Spielberg gere os climax's, o humor negro que se sobrepõe, esporadicamente, a toda aquela mescla de entretenimento. Não quero entrar em qualquer tipo de comparações com os outros dois filmes, todos eles são brilhantes, este e o The Last Crusade principalmente. Também acho oportuno desmistificar o fenómeno Spielberg, que, de facto, não é o único a fazer cinema de entretenimento com qualidade. Há um bocado aquele mito de que é profícuo gostar dos filmes de Spielberg como fuga a todos os nossos ideais de que o cinema tem que ser uma arte nobre, que defende a dignidade do ser humano como valor absoluto, que tem que ser anormalmente complexo e rico a gerir os interesses e os valores humanos, satisfazendo, desta forma, a parte lúdica, abrindo espaço para a renegação de uma série de evidências mais evidentes (desculpem a redundância) . Ou então não aceitar, de todo, Spielberg como um dos cineastas mais importante da actualidade numa atitude quase sádica, e então, neste caso, apelando à diferença. Duas posições radicais, e por isso é que eu digo que Spielberg é um realizador muito sobrevalorizado por uns e, porventura, o mais subvalorizado por outros, temos agora um bom exemplo, o do jornal inglês "The Guardian" que nos diz que Lynch e muitos outros auguram um futuro mais promissor que Spielberg. Mas o que é preciso dizer é que Spielberg é um realizador, também ele, limitado, genuíno sem sê-lo. A música de John Williams é fascinante, mas Spielberg pontualmente "tortura-nos". No fundo Spielberg revela-se incapaz de dar um contributo verdadeiramente positivo como outros mestres do passado, cuja obra desembocou em águas turvas, singulares, que ecoam, ainda hoje, nas nossas memórias e em todos os "livros de Cinema".
Classificação:

MESTRES #01
Federico Fellini
Federico Fellini nasceu em Rimini no dia 20 de Janeiro de 1920. Exerceu diversas funções durante a sua vida antes de se tornar realizador, trabalhando no teatro ainda antes da Segunda Guerra Mundial, e posteriormente como ilustrador, jornalista, caricaturista e autor de peças radiofônicas. Deu início à sua carreira cinematográfica como autor de diálogos para comédias: Il Pirato Sono Io, Non me lo Dire e Lo Vedi Come Sei. Posteriormente como cenógrafo e assistente de realização em algumas produções também desconhecidas do grande público: Quarta Pagina, Avanti c é Posto, etc. No ano de 1943, casa-se com a atriz Giulietta Masina. Em 1945, exerce a função de assistente de Roberto Rossellini no clássico Roma, Cidade Aberta. A parceria entre ambos se estenderia nos clássicos Paisà (1946), O Amor (1948), Francisco, Arauto de Deus (1950) e posteriormente Europa 51 (1952). Em 1950, estréia como co-diretor em Mulheres e Luzes, ao lado de Alberto Lattuada. Abismo de um Sonho (1952) é o primeiro filme dirigido exclusivamente por ele. A consagração mundial viria em 1954 com o inesquecível A Estrada da Vida, que lhe valeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Leão de Ouro no Festival de Veneza.
O realizador prosseguiu com uma carreira das mais prestigiadas do mundo, tendo vencido nos principais festivais internacionais de cinema. O seu estilo único e mágico, rico em alegorias e referências particulares, influenciou o cinema em todo o mundo, rendendo até a denominação felliniano.
Fellini faleceu em Roma no dia 31 de outubro de 1993, poucos meses depois, exactamente em 23 de março de 1994, falecia sua companheira Giulietta Masina.
Ranking dos 10 realizadores mais importantes segundo o jornal inglês The Guardian:
1º - David Lynch
2º - Martin Scorsese
3º - Irmãos Coen
4º - Steven Soderbergh
5º - Terrence Malick
6º - Abbas Kiarostami
7º - Errol Morris
8º - Hayao Miyazaki
9º - David Cronenberg
10º - Terence Davies
Para trás ficaram Spike Jonze, Aleksandr Sokurov, Takeshi Kitano, os irmãos Wachowski, Lars von Trier, Gus Van Sant, Almodóvar, Haneke, Wong kar Wai, Tarantino (17º), P.T. Anderson, etc. Foram eleitos 40 nomes.
"Once Upon a Time in the West" de Sergio Leone (1968)
"There were three men in her life,
one to take her...
one to love her...
and one to kill her."
O filme começa numa estação de caminhos de ferro quase deserta, subjugada por três bandidos, movem-se como répteis. Os diálogos são quase inexistentes, são 10 minutos inverosímeis, um bom exemplo daquilo que é uma realização quase perfeita. A roda de um velho moinho range, que momento extraordinário de cinema, progressivamente o "assobio" de um comboio intensifica-se. O climax está próximo, eis que surge Charles Bronson, o "canastrão" mais memorável de sempre, com um olhar inescrutável, blindado, perfeito para o papel. É um filme de homens de barba rija, um triângulo de mestres, cada um com uma motivação diferente, que se tributam mutuamente até à exaustão, ao limite. Mas a verdadeira estrela de Once Upon a Time in the West é, naturalmente, Leone. Em vez de "encher" as pradarias com um ensurdecedor "gunfire", Leone brinda-nos com sequências "chilling" para serem apreciadas sem pressas, grandiosas, com uma nuvem de silêncio que cobre, invariavelmente, Hollywood. O rosto de Cardinale é imaculado e Leone mais que nunca usa e abusa dos close ups estruturando os personagens através dos seus olhos claros, da pele "queimada" e áspera, da barba por cortar. As músicas de Morricone dão o toque final àquele que é por muitos considerado o melhor western de sempre. Uma referência ainda para Henry Fonda, o vilão, rouba todas as cenas. Um acontecimento, um acontecimento no Oeste.
Classificação:

Saturday, November 22, 2003
Quando estamos defronte de uma realidade como a de Columbine e sabemos que nada podemos fazer sentimo-nos desolados. Elephant é assim. Van Sant continua a sua cruzada para se encontrar, para definir o seu estilo, a sua marca. Provavelmente a necessidade de realizar um remake do brilhante "Psycho" proveio da indigência de redimensionar a câmara nos seus filmes, da interacção desta com o espaço físico, como que dando origem a uma estranha forma de ser, um vazio algures entre os corpos a mente e a arte (em Elephant). Mas Elephant é assim na mais redutora das visões ou revisão. É uma realidade dura onde Van Sant também nos mostra um céu azul, inspirador, numa tarde fria de Outono. Este é o pretexto para nos abstrairmos, para pensarmos. Aquilo que se revela como uma capacidade fugaz de se satisfazer a si próprio, de dar resposta aos vários estilhaços envolvidos em veludo que eclodem ao longo do filme, acaba por se tornar estimulante, constituindo aquilo que menos gostei e o que mais me seduziu ao longo dos 90m. Já agora se nós reflectirmos podemos mudar o Mundo, o nosso e o dos nossos. Um extraordinário filme, sempre singelo, sobre a adolescência, sem falsos pretenciosismos nem demagogias. É uma obra lancinante que lida com a nossa incapacidade de nos apoiarmos mutuamente, com a debilidade de uma Sociedade sem espaço para uma convivência positiva das várias individualidades, enfim, sobre a inadaptação. Pode não ser o filme do ano, mas é o filme mais fascinante e mais subtil de 2003.
Classificação:

